MINHA PRIMEIRA VIAGEM SOZINHA

Mulher, viaje sozinha.

Viaje sozinha para encontrar a si mesma,

viaje sozinha para conhecer partes suas que você nunca imaginou;

viaje sozinha para rir e cantarolar com a vida,

viaje sozinha para chorar em frente ao mar;

viaje sozinha para descobrir o quanto a vida é grande,

viaje sozinha para você ver quanta gente existe pra conhecer;

viaje sozinha para ser você,

viaje sozinha para se apaixonar;

viaje sozinha para nunca estar só,

viaje sozinha para descobrir que o universo inteiro mora em ti.


Lembro como se fosse hoje, era 17h48 de uma sexta-feira, faltavam doze minutos para sair do estágio. Primavera de 2016, o auge dos meus 20 quase 21 anos. Os pores do sol estavam lindos pela janela do escritório, e eu, cansada de estar ali, olhando pro computador. Sempre tive ansiedade pra ver o mar. Aquele frio na barriga que te faz tomar loucas decisões, e tomei a melhor decisão. Entrei no site do Booking, procurei hostel no Guarujá. Era uma praia perto, mas também longe. Era um ambiente conhecido, frequentei essa praia toda minha infância, mas ao mesmo tempo tinha cheiro de novidade. Fiz a reserva no hostel, peguei um quarto feminino. Logo em seguida comprei a passagem pro dia seguinte: 7h da manha estaria indo para a primeira aventura de muitas. Cheguei em casa como quem não quer nada e comuniquei meus pais: amanha estou indo viajar, volto domingo. "Vai com as meninas da faculdade?" "Não, vou sozinha". "SOZINHAA???" "Sim, preciso me encontrar".


Fui. Cheguei na rodoviária e peguei um táxi até o hostel. O frio na barriga de estar longe de casa. O hostel era próximo da praia, algo que escolhi à dedo. Deixei a mochila na recepção e fui pra praia. O quarto ainda não estava liberado. Tive muita cautela com meus pertences, estendi a canga na areia e deitei de cara pro Sol. AH! Que sensação incrível. Avisei as meninas do trabalho que estava tudo bem, e meus pais também. Passei o dia na areia com água de coco e milho. Escrevi, ouvi música, entrei no mar. A pele salgada e a alma leve. Voltei pro hostel, hora de interagir. O quarto era mais bonito pelas fotos, mas estava tudo bem. Confesso que o banheiro não era lá essas coisas, mas ter uma primeira experiencia dessa me fez valorizar as demais que estavam por vir. Fiquei no quarto com duas Argentinas, hablei um Portunhol e demos risadas. Uma delas roncava bastante e deixava as calcinhas espalhadas no chão do quarto. Comecei a ver um universo diferente do meu. Fui pra área de convivência, conheci uma senhora que vivia viajando. Contei à ela que era minha primeira viagem sola, e ela me deu ainda mais força.


Na hora do jantar conversei com uma amiga que tem casa na mesma praia que eu estava, e fui jantar com a família dela. Contei os aprendizados do dia e ela me convidou pra dormir lá. Eu recusei: "Preciso viver a experiencia de estar só". Ela entendeu e meu deu um abraço.


Voltei pro hostel e fui dormir. No dia seguinte acordei e voltei pro mar. À tarde peguei um ônibus de volta pra Sao Paulo e cheguei em casa com tudo igual mas tudo diferente. A menina rebelde agora virara corajosa. As portas se abriram pra uma nova fase.


Aprendi que o medo de estar só é maior do que realmente estar só. Aprendi que sempre haverá companhia, cabe à você escolher se deseja partilhar. Aprendi que simplicidade é um coração livre. Aprendi a seguir os instintos do meu coração.


Segunda-feira voltei para a agencia que trabalhava me sentindo um passarinho na gaiola. É desafiador encontrar a liberdade em si e continuar com a mesma rotina. Mas essa viagem foi o primeiro passo pra uma longa mudança que estava por vir. Continue acompanhando as histórias, obrigada por estar aqui.



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